Xantelasma: quando as placas nas pálpebras indicam mais do que estética

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Dra. Nara Biezus

Oftalmologista e Cirurgiã Oculoplástica
CRM-PR 15644 RQE 9192

Sou a Dra. Nara Biezus e hoje quero falar sobre uma condição que muitas vezes preocupa pela aparência, mas que também pode sinalizar alterações internas importantes: o xantelasma. Ele se manifesta como pequenas placas amareladas ou esbranquiçadas, geralmente nas pálpebras superiores ou inferiores. Embora não cause dor ou coceira, o xantelasma pode afetar a autoestima e, em alguns casos, estar relacionado a alterações no metabolismo das gorduras do corpo.

Por que ele aparece

O xantelasma é formado pelo acúmulo de gordura (lipídios) sob a pele das pálpebras. Esse depósito ocorre devido a fatores como:

  • Colesterol elevado

    Quando há excesso de colesterol ou triglicerídeos no sangue, parte dessa gordura pode se depositar sob a pele das pálpebras, formando as placas características do xantelasma.

  • Predisposição genética

    Algumas pessoas têm tendência hereditária ao acúmulo de lipídios na pele, mesmo com exames normais e hábitos saudáveis.

  • Alterações metabólicas

    Distúrbios como diabetes, hipotireoidismo e doenças hepáticas podem interferir no metabolismo das gorduras e favorecer o surgimento das lesões.

  • Causas isoladas

    Há casos em que o xantelasma aparece sem relação com colesterol alto ou doenças metabólicas, apenas por predisposição local da pele.

Sinais e características

As lesões são fáceis de identificar: pequenas placas ou manchas amareladas, lisas ou levemente elevadas, localizadas próximas ao canto interno dos olhos. Com o tempo, podem crescer e tornar-se mais visíveis, gerando desconforto estético — especialmente porque a região palpebral é delicada e muito expressiva.

Diagnóstico e investigação

O diagnóstico é clínico, feito durante a consulta oftalmológica. No entanto, sempre orientamos uma investigação laboratorial, com exames de colesterol, triglicerídeos e função hepática. Isso porque o xantelasma pode ser um dos primeiros sinais visíveis de dislipidemia, condição que aumenta o risco cardiovascular.

Opções de tratamento

O tratamento do xantelasma depende do tamanho, localização e profundidade das lesões. Entre as opções estão:

  • Laser de CO₂ ou plasma — para remoção precisa e minimamente invasiva;

  • Excisão cirúrgica — indicada para casos maiores ou reincidentes;

  • Peelings ou terapias químicas específicas, em situações selecionadas.

Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando o tipo de pele e o risco de cicatrizes ou recidiva.

Cuidados e prevenção

Após o tratamento, é importante manter acompanhamento oftalmológico e clínico, principalmente se houver alterações metabólicas. Além disso, hábitos saudáveis são essenciais:

  • Adotar uma alimentação equilibrada e pobre em gorduras saturadas;

  • Evitar o tabagismo e o sedentarismo;

  • Fazer exames de rotina para controle de colesterol e triglicerídeos;

  • Usar protetor solar na região dos olhos, prevenindo manchas e recidivas.

Conclusão

O xantelasma vai muito além da estética. Ele é um sinal de que o corpo pode estar pedindo mais atenção. A boa notícia é que o tratamento é eficaz e seguro quando conduzido por um especialista. Se você notou o aparecimento dessas pequenas placas nas pálpebras, procure avaliação — cuidar da saúde ocular é também cuidar da sua saúde geral.